Pergunta o que te está a escapar
Pílula 1.4 · Quick win · A IA propõe o que não tinhas pensado; tu escolhes e assinas
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A cena
Nove e meia, antes de abrir de vez. El Roble cheira ao café da cafeteira velha, e a luz entra pela montra da rua Olmos e pousa na sala: sobre a corticeira das fotos, sobre a balança gasta, sobre Roble — com a sua orelha marcada —, que vigia desde a prateleira com aquela indiferença sua de quem já viu tudo.
O horário novo decidiram-no entre todos na semana passada, no briefing da manhã, com o café a arrefecer. O bairro já não é o de há vinte anos: foram chegando famílias jovens que saem tarde do trabalho e que, se têm de escolher veterinário, a primeira coisa que fazem é procurá-lo no telemóvel. O encerramento a meio do dia de toda a vida já não fazia sentido, e os sábados alternados — um sim e outro não — eram uma confusão que nem a própria equipa recordava sem olhar para o calendário. Por isso simplificaram ao mais claro e mais humano: jornada contínua, das dez às sete e meia, de segunda a sexta. Entra-se a qualquer hora, e o fim de semana é para todos. Boa decisão.
Agora há que contá-la. Diego sai e olha para a placa da fachada. O seu primeiro impulso é de manitas: um cartaz novo, limpo e atualizado. E quase no mesmo gesto vê com clareza. Um cartaz pequeno na entrada ou na parede lê-o quem já está ou entrou. E o que no próximo sábado aparece à porta com o cão porque «afinal, antes abriam alguns sábados»? Esse, o cartaz de dentro não o salva.
O empurrão
Diego fica com a dúvida, que é a sua forma de começar. Não é um problema de escrever bem — quatro linhas junta-as qualquer um —. É um problema de não se esquecer de ninguém: cada um fica a saber por um sítio diferente, e ele não tem a lista completa na cabeça. O don Ramón não abre um WhatsApp na vida. O casal da Nube veio porque os encontrou no Google. E há sempre alguém por uma via em que não pensas até ser tarde.
Por isso faz o que faz quando algo não é só apertar um parafuso: toma notas e, como aprendeu, conta a situação toda à IA para que lhe sirva de assistente. Tira o telemóvel. Sem alvoroço, como tudo nele. Assim chega a pergunta de verdade: «vou mudar o horário para isto, por isto; como o comunico para que ninguém fique a saber a meias? Diz-me tu o que seria preciso antes de escrever seja o que for. Deixo-te as minhas notas.» Quem se encarrega de que as coisas funcionem sabe que a primeira boa pergunta poupa três sarilhos depois.
A tarefa de cada dia
Não é só este horário. É o aviso da ponte, as férias de agosto, a campanha de vacinação, o «hoje fechamos mais cedo» de um dia avulso. De pouco em pouco há sempre algo a contar bem e por vários sítios ao mesmo tempo, a pessoas que ficam a saber de maneiras diferentes. E o difícil quase nunca é redigir a mensagem: é lembrar-se de todos os canais e de toda a gente antes que o esquecimento to cobre — na forma de um cliente parado à porta fechada —.
Quem aprende a perguntar à IA «o que me está a escapar?» deixa de descobrir o canal esquecido quando já não tem remédio. E isso, para uma clínica de bairro que vive de que as pessoas saibam que estás e confiem em que estás, não é um detalhe: é parte de cuidar.
O desbloqueio
Não peças à IA só o que já sabias que querias. Conta-lhe a tua situação — quem és, o que mudas e porquê, e a quem tens de chegar — e faz-lhe uma pergunta aberta: «como o comunico bem? o que me está a escapar?». Cola-lhe as tuas quatro linhas tal como estão, em bruto: trabalha sobre o que de facto tens. Uma ferramenta que «viu» mil clínicas a avisar de mil mudanças vai propor-te precisamente o que tu não tinhas na cabeça. E depois escolhes tu.
São dois movimentos. Primeiro pergunta — que proponha, antes de escrever seja o que for —. Depois executa — do que propõe, ficas com o que encaixa e pedes-lhe que te deixe tudo feito, de uma vez —.
E aqui está o ofício: enquadra a pergunta ou recebes vinte ideias genéricas — pede-lhe as três ou quatro mais úteis para uma clínica de bairro, e porquê —; e o critério do que aplica é teu — não abres um canal novo só porque a máquina o sugere —. A IA propõe e esboça; tu escolhes, ajustas o dado e assinas. Desta vez, esboço e ajuste não são só do texto: são do plano. Ela diz-te por onde e deixa-te um começo; o critério do que fazer, e a assinatura, são teus.
6:26Áudio em espanhol · legendas em português, espanhol e inglês.
A mudança, em ação
Vê-o com o caso real. Diego não escreveu um texto longo: passou-lhe as suas quatro linhas, tal como estavam, e pediu a resposta numa tabela breve, para a ver de uma vez:
HORÁRIO NOVO — é preciso avisar
Antes: 2ª-6ª 10-13:30 e 17-20 · 4ª à tarde fechado · sáb. alternados
Agora: 2ª-6ª 10:00 às 19:30 corrido · sem sábados
Desde: terça-feira 1 de setembro
Porquê: conciliar + que possam vir a qualquer hora, sem pausa
Urgências: mesmo telefone
Avisar: grupo de WhatsApp · cartaz para a clínica
Atenção: nem toda a gente lê WhatsApp (don Ramón e os mais velhos) → SMS? email?
O que mais? → perguntarO que a IA lhe devolveu não foi um texto: foi um plano, ordenado por prioridade.
| # | Canal | Porquê (nas suas palavras) |
|---|---|---|
| 1 | Cartaz físico na porta, na receção e no balcão | Muita gente fica a saber ao passar; o cartaz pequeno e só lá dentro não o veem os que vêm fora do horário |
| 2 | WhatsApp + SMS a clientes-chave | O WhatsApp não chega a todos; aos mais velhos — don Ramón, crónicos, medicação, revisões — melhor um SMS ou uma chamada |
| 3 | Google / Maps (+ site e redes) | «Isto escapa-se imenso»: se o Google continuar a dizer «sábado aberto» ou «fecha a meio do dia», haverá aborrecimentos mesmo que avisasses pelo WhatsApp |
| 4 | Telefone, agenda e equipa | Que todos digam o mesmo, e rever as consultas já marcadas para sábado |
E um remate que Diego não tinha na cabeça: faz uma lista de risco com quem pode não ficar a saber — mais velhos, sem WhatsApp, crónicos, levantamentos de ração, os que costumavam vir ao sábado — e a esses, aviso direto. É aí que se evitam os dissabores.
O cartaz que Diego já tinha pensado é o primeiro da lista — bom instinto —, mas afinal é uma de quatro. E para na três: o do Google não lhe tinha ocorrido. Ele pensava em avisar os que já conhece; o Google é o que vê quem ainda não é cliente — e, diz a própria IA, onde toda a gente mais se engana —. Pensou em reter; lembraram-lhe captar.
Fica com o que encaixa (nem redes que não gere nem invenções) e pede-lhe o segundo movimento: que lhe deixe tudo feito, e os passos para atualizar o Google. A IA redige-lho de uma vez — o cartaz, o WhatsApp, o SMS, o rodapé dos emails — e dá-lhe os passos do Google atualizados, que verificou contra a fonte oficial porque esse ecrã muda com frequência. O WhatsApp ficou assim:
Olá 😊 Avisamo-vos com antecedência de uma mudança no horário da clínica.
A partir de terça-feira 1 de setembro, o nosso horário será:
Segunda a sexta, das 10:00 às 19:30 — contínuo, sem pausa a meio do dia.
Sábados: encerrado.
A mudança ajuda-nos a conciliar e a que possam vir a qualquer hora do dia.
Para urgências ou consultas importantes, continuamos no mesmo telefone: [o vosso telefone].
Obrigado 🙂E o cartaz para a porta:
NOVO HORÁRIO
a partir de terça-feira 1 de setembro
Segunda a sexta: 10:00 – 19:30 (horário contínuo, sem encerramento a meio do dia)
Sábados: encerrado
Urgências e consultas importantes: [o vosso telefone]A forma pô-la a máquina; o fundo pô-lo o Diego. Confirmou que dizia 10:00 às 19:30 e o telefone correto, tirou o que sobrava, e enviou o WhatsApp ele próprio. O do Google atualizou ele, passo a passo. A IA propõe, redige e lembra-te o que se escapa; o dado, o clique e a assinatura, teus.
Faz tu em 4 passos
- Abre o ChatGPT / Gemini / Claude (no vídeo fazemo-lo com o ChatGPT) e começa uma conversa nova.
- Dá-lhe a tua situação e pergunta em aberto: conta-lha ou cola-lhe as tuas notas em bruto, e pede-lhe que proponha antes de escrever — «como o comunico? o que me está a escapar?» —.
- Escolhe da lista o que encaixa com a tua clínica (e descarta o que não encaixa) e pede-lhe que te redija todos os que escolheste, cada um à sua medida.
- Fica com o teu critério: revê os dados (a hora, as datas), tira o que sobra, e dá o visto bom. O que toca o mundo real — atualizar o Google, enviar o WhatsApp, pendurar o cartaz — fazes tu.
Dica do Diego: a primeira pergunta não é «faz-me X»; é «o que farias tu e o que me está a escapar?». E não é preciso nada sofisticado: quatro linhas em bruto, coladas tal como estão, e a IA trabalha sobre o que de facto tens. Isso sim, o dado — a hora, a data, o telefone — revês tu sempre.
O prompt · copia
1) A pergunta aberta (com as tuas notas):
Passo-te as minhas notas (colo-as abaixo). Sou [o teu papel] numa clínica
veterinária de bairro e vamos fazer uma mudança: [o que muda e desde quando],
e fazemo-lo porque [o porquê].
Tenho de o comunicar bem e não quero que ninguém fique a saber a meias.
Antes de redigir seja o que for: como o comunicarias? Diz-me os canais e as
ações mais úteis para uma clínica de bairro — incluindo o que costuma escapar-se —,
os 3-4 mais importantes e porquê cada um. Numa tabela breve.
[cola aqui as tuas notas]2) A execução (que redija o que escolheres):
Perfeito. Do que propuseste, fica com: [lista o que escolhes].
Redige-me cada um, pronto a usar, em português de Portugal:
- Claro, próximo e de bairro, sem floreados.
- Cada um com o comprimento e o tom do seu canal (WhatsApp curto e caloroso,
o cartaz legível de relance, o texto do Google breve…).
Respeita exatamente os dados que te dou (horário, datas): não mudes
nenhum. Se vires um erro, avisa-me em vez de o corrigires por conta própria.Vai um passo mais além: que não fique nada antigo
Dois remates que a própria IA te dá se lhos pedires, e que valem ouro:
- A varredura do horário antigo. Pede-lhe a lista de onde pode ficar o horário antigo: o site, o Instagram/Facebook, a assinatura do email, o atendedor, os lembretes de consulta, o WhatsApp Business, os diretórios locais… É o lapso que aparece três meses depois, quando alguém chega num sábado porque «na internet dizia aberto».
- Deixa a lista feita para a próxima. Pede-lhe que te resuma «a quem avisar e por onde» numa lista curta. Guardas-a, e no dia da ponte ou das férias já não começas do zero: tens o teu próprio lembrete de canais.
Antes → Agora
Uma tarde a escrever o mesmo aviso de várias maneiras — e mesmo assim, no sábado seguinte, alguém parado à porta porque o canal pelo qual ficava a saber se te passou ao lado —.
10 minutos: passas-lhe as tuas notas, perguntas o que te está a escapar, escolhes do que propõe, redige-te tudo de uma vez, revês a hora e envias. E o bom não é o texto: é que não te esqueces de ninguém.

Antes de começar
- A IA propõe e redige; tu escolhes e assinas. Aconselha-te por onde e deixa-te os textos feitos, mas o dado — a hora, a data — revês tu, e o que toca o mundo real — atualizar o Google, enviar o WhatsApp, pendurar o cartaz — fazes tu. A IA não atualiza a tua ficha nem envia a mensagem por ti.
- O critério do canal a usar é teu. Não abras um canal novo só porque a IA o sugere: fica com o que de facto encaixa com a tua clínica.
- Isto é para comunicação geral da clínica — horários, avisos, mudanças, campanhas —. O que tiver dados de um paciente ou de um cliente concreto é outra história; vemo-lo no momento certo.
- Funciona em planos gratuitos (com limite diário de utilização). Precisa de ligação à internet: processa-se na nuvem.
Transcrição do vídeo
Então, isto é o que o Diego fez para resolver a sua situação. Foi às notas do telemóvel, onde já tinha passado a limpo, de forma muito breve, o que tinha apontado no caderno, como veem aqui. Selecionou todo o conteúdo, copiou-o e foi para o ChatGPT. E cria um chat novo. Neste chat novo, ditamos-lhe as instruções. Sou auxiliar numa clínica veterinária de bairro e vamos mudar o horário. Tenho de avisar toda a gente e não quero que ninguém fique a saber só metade. Antes de redigir seja o que for, pergunto-te como o comunicarias. Diz-me os canais e as ações mais úteis para uma clínica de bairro, incluindo o que costuma escapar. Os 3 ou 4 mais importantes, e porquê de cada um. Fá-lo em formato de tabela breve. Vou colar as minhas notas. Como sempre, lembrem-se de que é sempre melhor ditar — é muito mais rápido. E agora colamos o que tinha apontado: o horário novo, o horário antigo, as novas condições, desde quando, porquê, as urgências, que tinha pensado avisar pelo grupo de WhatsApp, pôr um cartaz na clínica, e tinha dúvidas se o WhatsApp era lido pelo Don Ramón e pelos clientes mais velhos, e se, nesse caso, era melhor um SMS, um email — e que mais perguntar. Aqui vai e envia. Pronto, já temos o plano. O truque era a pergunta aberta: «o que se me escapa?» e temos aqui o plano, como dissemos. Primeiro fala-nos do cartaz físico, na clínica, e diz-nos para o pôr em diferentes locais. Também nos propõe WhatsApp e SMS para os clientes-chave. O SMS mais orientado para clientes habituais e pouco tecnológicos. Em terceiro lugar, pôs-nos a trabalhar todo o canal digital: o perfil de Google, o site, as redes sociais — e dá imensa importância a este tema, sobretudo ao Google, porque é especialmente importante quando as pessoas procuram a clínica no Google Maps ou é um cliente novo. Também nos fala do canal telefónico e do canal do email, onde o que nos diz é de uma forma um pouco mais passiva. Mudar a mensagem do atendedor, se o tivermos, pôr assinaturas nos emails, nos lembretes, de modo a estarmos sempre a lembrar os clientes do que vamos mudar. Lembra: a partir de 1 de setembro mudamos o horário. E, por último, recomenda também fazer uma lista de emergência dos clientes mais difíceis de alcançar por estes meios, habituais, que vêm muitas vezes ao sábado, em que talvez um contacto direto, que poderia ser uma chamada, fosse necessário. Portanto, já temos algumas ideias — e, como viram, algumas novas que não tínhamos considerado, como a do Google, que, como dissemos, é muito importante. Neste caso são quatro ou cinco, mas, se tivessem sido mais, podíamos ter concretizado ou, se faltar alguma, podemos pedi-la. O que vamos fazer a seguir, para deixar tudo terminado, é pedir ao ChatGPT que nos ajude a terminar o plano, por isso enviamos outra vez. A seguir: sintetiza o plano em blocos e redige todos os textos para os cartazes, o WhatsApp, o SMS e um lembrete comum para o rodapé dos emails e os lembretes de marcações. Além disso, explica em detalhe e atualizado os passos para atualizar o horário no Google. Então, já temos aqui a mensagem; enviamo-la e, com o que sair, o que o Diego faria, no fim, seria rever todo o plano, ajustá-lo, validar os textos e, assim que os tivermos, simplesmente copiar as mensagens e colá-las ou configurá-las nos rodapés dos emails, ou abrir a ficha do Google e mudar o horário à mão. A IA deixa-nos tudo começado e lembra-nos o que nos tinha escapado, e o critério e a assinatura são do veterinário. Portanto, aqui tens o plano de forma muito rápida: o bloco, a ação e quando realizá-la — e os textos, o objetivo, ou seja, o plano; e aqui temos os textos de cada uma das secções que pedimos, que podemos ir copiando e colando, e por aí fora. Portanto, espero que isto vos tenha ajudado, vamos pô-lo também na pílula para que tenham todos os textos e todos os dados que saíram.
