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Gestao Clinica

Cada chamada que não atendes é um cliente que se vai

As clínicas veterinárias perdem entre 3 e 5 chamadas por dia. Isso traduz-se em centenas de clientes potenciais por ano que vão para a concorrência. A imediatez já não é um luxo: é uma exigência.

Há um problema silencioso nas clínicas veterinárias que está a custar milhares de euros todos os anos aos proprietários de negócios sem que muitos deles sequer tenham consciência da sua magnitude. Não tem a ver com os custos de material, nem com os preços dos fármacos, nem com a concorrência do hospital veterinário que abriu do outro lado da rua. Tem a ver com algo muito mais básico e, precisamente por isso, muito mais devastador: o telefone.

O telefone que toca quando a rececionista está a atender outro cliente. O telefone que ninguém pode atender porque o veterinário está no meio de uma cirurgia e a auxiliar está a segurar o paciente. O telefone que toca às duas da tarde quando a clínica fecha para almoçar. O telefone que toca às nove da noite quando um proprietário preocupado quer perguntar se o que se passa com o gato é uma urgência. O telefone que toca num sábado à tarde. Num domingo de manhã.

Cada uma dessas chamadas que ninguém atende é, potencialmente, um cliente que não voltará a marcar o vosso número. Porque já terá marcado o de outra clínica que sim, atendeu o telefone.

Os números que ninguém quer ver

O valor económico das chamadas perdidas

Falemos de números, porque é aqui que a realidade deixa de ser uma sensação incómoda e se torna num problema com consequências económicas quantificáveis.

Uma clínica veterinária média perde entre 3 e 5 chamadas por dia. Não estou a falar de clínicas desorganizadas ou mal geridas. Estou a falar de clínicas normais, com equipas comprometidas, que fazem o que podem com os recursos que têm. Simplesmente, não dão vazão. O volume de chamadas supera a capacidade da equipa para as atender a todas, especialmente nas horas de ponta, durante as cirurgias e fora do horário de abertura.

Façamos as contas. Três chamadas perdidas por dia multiplicadas por cinco dias úteis são quinze chamadas por semana. Quinze chamadas por semana multiplicadas por quarenta e oito semanas úteis por ano são 720 chamadas perdidas por ano. Setecentas e vinte oportunidades de contacto com um cliente que se evaporam.

Ora bem, nem todas essas chamadas são de clientes novos. Muitas são de clientes existentes, fornecedores, consultas de rotina. Mas mesmo que apenas 30% dessas chamadas perdidas representem clientes novos ou clientes existentes com necessidades de serviço, estamos a falar de mais de 200 oportunidades de negócio por ano que se perdem. Se o ticket médio de uma primeira consulta ronda os 60-80 euros, e considerarmos que uma percentagem desses clientes se teria convertido em cliente recorrente com um valor de vida de várias centenas de euros, a faturação que se evapora por chamadas sem atender pode facilmente ultrapassar os 20.000 ou 30.000 euros anuais.

E tudo isto sem contar o custo invisível mas igualmente real: a frustração do cliente existente que não consegue falar com a sua clínica de confiança quando precisa. Essa frustração acumula-se. Não explode de forma visível. Simplesmente, um dia esse cliente deixa de vir e vai para outra clínica. Sem se queixar. Sem avisar. Sem te dar a oportunidade de o reter.

O problema não é a atitude, é a estrutura

Consultas que se perdem por falta de atendimento telefónico

A primeira coisa que quero deixar clara é que o problema das chamadas perdidas não é um problema de atitude nem de profissionalismo da equipa. É um problema estrutural. E compreender isto é fundamental para o resolver de forma eficaz.

Na maioria das clínicas veterinárias, a pessoa que atende o telefone não é uma rececionista dedicada exclusivamente a essa função. É um auxiliar que também gere a agenda, cobra faturas, gere o stock, assiste em consulta, limpa boxes e, entre tudo isso, tenta atender o telefone de cada vez que toca. Muitas clínicas pequenas nem sequer têm rececionista: é o próprio veterinário que atende as chamadas entre consultas, com tudo o que isso implica para a concentração clínica e a qualidade de atendimento tanto ao paciente presencial como ao interlocutor telefónico.

E depois há o problema da cobertura horária. A maioria das clínicas abre em horário partido ou tem faixas de almoço encerradas. As tardes de sábado e os domingos, salvo em centros com serviço de urgências, o telefone toca no vazio. E muitas das chamadas que se produzem nesses horários são urgências reais ou percebidas pelo proprietário, momentos de máxima ansiedade em que a pessoa precisa de falar com alguém que a guie, a tranquilize ou lhe indique se deve ir às urgências.

O que faz esse proprietário quando liga para a sua clínica de confiança e ninguém atende? Procura no Google “veterinário urgências perto de mim”, liga para o primeiro que aparece e, se a experiência for boa, pode não voltar. Perdemos não só uma consulta de urgência, mas potencialmente um cliente para sempre.

A interrupção constante: o inimigo invisível da consulta

Há uma dimensão do problema telefónico que afeta diretamente a qualidade da medicina que praticamos e que raramente é abordada com a seriedade que merece: a interrupção.

De cada vez que o telefone toca durante uma consulta e alguém da equipa tem de o atender, a concentração clínica quebra-se. O veterinário perde o fio da exploração. A conversa com o proprietário interrompe-se. O fluxo da consulta fragmenta-se. E todos sabemos, embora não o digamos em voz alta, que as interrupções repetidas ao longo do dia contribuem significativamente para o esgotamento profissional, para os erros por descuido e para aquela sensação de estar sempre a correr sem chegar a lado nenhum.

Estudos em medicina humana demonstraram que uma interrupção de apenas 15 segundos durante uma tarefa cognitiva complexa pode duplicar a taxa de erros. E as nossas consultas estão cheias de tarefas cognitivas complexas: avaliar sintomas, considerar diagnósticos diferenciais, ajustar doses, interpretar resultados em tempo real. De cada vez que o telefone interrompe esse processo, estamos a pagar um preço invisível em qualidade clínica.

Não é um exagero. É fisiologia cognitiva básica. E se multiplicarmos essas interrupções por cinco, dez ou quinze vezes por dia durante os dias de ponta, o impacto acumulado sobre a qualidade do nosso trabalho e sobre o nosso bem-estar profissional é enorme.

O cliente do século XXI não espera

Atendimento fora de horário: a clínica fechada

Nos primeiros artigos desta série falámos extensamente do novo perfil de cliente veterinário: hiperinformado, digitalizado, com expectativas formadas pelas suas experiências com a Amazon, a banca online e as plataformas de streaming. Um cliente que está habituado à imediatez e à disponibilidade permanente.

Este cliente não compreende que uma clínica veterinária não tenha algum mecanismo para atender a sua chamada às duas da tarde ou às oito da noite. Não lhe parece razoável. Não por capricho nem por ser exigente de forma irracional, mas porque a sua experiência de vida com todos os outros serviços que consome lhe ensinou que a disponibilidade é o normal e a inacessibilidade é a exceção.

Recordemos os dados que mencionámos ao falar do tsunami: 40% dos proprietários jovens estão dispostos a mudar de veterinário no próximo ano. Não porque estejam insatisfeitos com a medicina, mas porque procuram uma experiência mais completa, mais acessível e mais alinhada com o que já têm noutros âmbitos da sua vida. E a acessibilidade telefónica é, provavelmente, o primeiro ponto de contacto onde essa expectativa é posta à prova.

O teu website pode ser espetacular. O teu perfil do Google pode ter cinco estrelas. A tua equipa pode ser clinicamente brilhante. Mas se um cliente potencial te liga pela primeira vez e ninguém atende, nada disso importa. O primeiro filtro é brutal na sua simplicidade: atendem o telefone? Se a resposta é não, há centenas de clínicas que sim o fazem.

Num mundo onde a lealdade do cliente se erode a cada dia, a primeira batalha ganha-se ou perde-se ao telefone. E é uma batalha que muitas clínicas estão a perder sem o saber.

Soluções do passado, problemas do presente

Quais têm sido as soluções tradicionais para este problema? Basicamente três, e as três têm limitações importantes.

A primeira é contratar mais pessoal de receção. Funciona, mas tem um custo elevado. Um posto de receção a tempo inteiro representa entre 18.000 e 25.000 euros anuais em custos salariais e de Segurança Social. E mesmo assim, só cobre o horário laboral. As chamadas fora de horário continuam sem ser atendidas. Além disso, um empregado humano tem dias de baixa, férias, momentos de saturação e um limite natural de chamadas que consegue gerir em simultâneo.

A segunda é instalar um atendedor automático. É melhor que nada, mas sejamos sinceros: quantas vezes deixaram uma mensagem num atendedor de uma clínica veterinária quando estavam preocupados com o vosso animal? A maioria dos proprietários desliga e liga para outro sítio. O atendedor automático gera frustração, não soluções.

A terceira é externalizar para um call center. Melhora a cobertura horária, mas a qualidade do atendimento costuma ser genérica, impessoal e com pouco conhecimento do sector veterinário. O operador não sabe distinguir uma urgência real de uma consulta de rotina, não conhece os serviços específicos da tua clínica, não consegue dar informação concreta sobre preços nem disponibilidade, e a experiência para o cliente sente-se exatamente como o que é: uma subcontratação.

Nenhuma destas três opções resolve o problema de fundo de forma eficiente, escalável e economicamente sustentável.

A alternativa que muda as regras do jogo

A tecnologia amadureceu o suficiente para que exista uma quarta opção que era impensável há três anos: uma rececionista virtual inteligente baseada em inteligência artificial.

Não estamos a falar de um atendedor automático com reconhecimento de voz básico, daqueles que te obrigam a “pressionar 1 para consultas, pressionar 2 para urgências”. Estamos a falar de um assistente conversacional que compreende linguagem natural, que consegue manter uma conversa fluida com o proprietário, que conhece a tua clínica, os teus serviços, os teus horários, os teus preços, os teus protocolos de urgência, e que consegue gerir a imensa maioria das chamadas de rotina de forma completamente autónoma.

Uma ferramenta assim pode atender 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não tem férias, não adoece, não tem dias maus. Pode gerir múltiplas chamadas em simultâneo, algo impossível para qualquer rececionista humano. E pode fazer algo que tem um valor clínico real: realizar uma triagem telefónica básica, avaliando a situação que o proprietário descreve e classificando-a por nível de urgência.

O gato vomitou uma vez depois de comer erva? O assistente pode tranquilizar o proprietário, dar-lhe orientações de observação e sugerir que marque consulta para amanhã se os sintomas persistirem. O cão ingeriu um tóxico há menos de uma hora? O assistente pode identificar a urgência, dar instruções imediatas e encaminhar a chamada para o veterinário de serviço ou para o centro de urgências mais próximo.

E tudo isto gerando um resumo estruturado de cada interação que a equipa da clínica pode rever ao chegar de manhã: quem ligou, porquê, o que lhe foi dito, se requer seguimento. Informação organizada, disponível e acionável, em vez do caos habitual de post-its no ecrã do computador da receção e mensagens de voz que ninguém teve tempo de ouvir.

Para além do telefone: WhatsApp, web e comunicação omnicanal

O telefone é o canal mais crítico, mas não é o único. Os clientes mais jovens, precisamente aqueles que são menos leais e mais exigentes, preferem frequentemente comunicar por WhatsApp, pelo chat do website ou até pelas redes sociais. Cada mensagem sem resposta no WhatsApp Business, cada consulta no chat do website que fica sem resposta durante horas, cada comentário no Instagram a pedir informação que demora dias a receber resposta, é mais uma pequena fissura na experiência do cliente.

Uma estratégia de comunicação inteligente não se limita a atender o telefone. Cobre todos os canais pelos quais o cliente pode contactar, com uma resposta coerente, rápida e profissional em cada um deles. E a inteligência artificial torna isto escalável sem multiplicar a equipa humana.

O chat inteligente no website pode resolver dúvidas frequentes, captar dados do novo cliente e encaminhá-lo para a reserva de consulta online. O WhatsApp automatizado pode gerir confirmações de consulta, lembretes de vacinação, seguimentos pós-cirúrgicos e respostas a perguntas frequentes. Tudo a funcionar em segundo plano, de forma contínua, libertando a tua equipa humana para que se concentre no que realmente necessita de intervenção humana: o atendimento presencial ao cliente e ao paciente.

O retorno de investimento mais claro de toda a clínica

Se há um investimento em tecnologia onde o retorno é facilmente calculável e dificilmente discutível, é este. A equação é direta:

Custo das chamadas perdidas por ano (clientes que se vão) face ao custo de uma solução que atende essas chamadas. Se estamos a falar de dezenas de milhares de euros em negócio perdido por um lado, e do custo de uma ferramenta tecnológica que pode ser uma fração do que custa um posto de receção adicional pelo outro, as contas falam por si.

Mas o retorno vai além do puramente económico. É uma equipa de receção que pode respirar. Um veterinário que pode terminar a sua consulta sem interrupções. Um proprietário que encontra sempre resposta quando liga. Uma clínica que projeta profissionalismo e acessibilidade 24 horas por dia. Um fluxo de informação ordenado que permite fazer seguimento real de cada interação com cada cliente.

É passar de um modelo reativo, onde apagamos fogos de cada vez que o telefone toca, para um modelo proativo, onde a comunicação com o cliente está desenhada, automatizada e gerida de forma inteligente.

A pergunta que devias fazer-te amanhã mesmo

Amanhã, quando chegares à tua clínica, faz-te uma pergunta simples: quantas chamadas se perderam hoje? A maioria dos sistemas telefónicos modernos regista as chamadas recebidas, incluindo as não atendidas. Olha para esse número. Multiplica-o por cinco dias. Por quatro semanas. Por doze meses.

Esse número é a tua linha de base. É o que está a acontecer neste preciso momento na tua clínica, provavelmente sem que lhe tenhas posto números até agora. E uma vez que vês o número, é difícil ignorá-lo.

Não se trata de culpar a equipa. Trata-se de reconhecer que temos um problema estrutural que se resolve com estrutura, não com esforço. Pedir à tua equipa que tente atender mais chamadas é como pedir a um cirurgião que opere mais depressa: não é a solução, e pode piorar as coisas.

A solução é desenhar um sistema onde nenhuma chamada se perca, onde a equipa humana possa concentrar-se no atendimento presencial que é a sua verdadeira força, e onde o cliente encontre sempre uma resposta profissional, informada e empática do outro lado do telefone, seja a hora que for.

O telefone não é apenas um aparelho na receção. É a porta de entrada da tua clínica. E neste momento, essa porta pode estar fechada mais horas do que pensas.


Este artigo faz parte da série «IA e Veterinária» da KyberVet. Se queres saber quanto te estão realmente a custar as chamadas que não atendes, escreve-nos para info@kybervet.com. Podemos ajudar-te a calcular o impacto e a encontrar a solução adequada para a tua clínica.

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Jorge Sánchez
Jorge Sánchez CEO & Veterinário
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